Sobre silenciar.

Chega um momento que você precisa, de fato, parar e silenciar. Silenciar para não sofrer as consequências e as dores. Silenciar para não pagar pelo preço das próprias palavras. Sejam elas entendidas de forma controversa ou entendidas no inteiro teor da intensão que se teve ao dizê-las. Silenciar e observar. Ou talvez só silenciar e deixar até mesmo a observação a cargo daqueles que já são tão resolvidos com sua própria vida e não dispõem de tantos dilemas, a ponto de se dar ao privilégio de observar pessoas e situações. Eu particularmente adoro observar pessoas e situações – não porque eu já seja resolvida com os dilemas da minha vida, muito pelo contrário, talvez isso se dê simplesmente porque observar o simples caminhar de alguém me faz esquecer como é viver no meu mundo. Às vezes fico imaginando que as pessoas devem me achar loucas por encará-las, mas eu simplesmente paro e observo-as, como se nunca as tivesse visto ou como se elas estivem em um nível sobrenatural de estranheza. Talvez o fato de perceber-se que a vida não é fácil como se gostaria que fosse, e que as pessoas não são tão gentis como se esperaria que fossem, deixe tudo mais difícil, e silenciar se torne impossível diante do grande número de reclamações que se tem a fazer, do tanto de desabafo que se quer fazer. Mas na dúvida, na mais remota dúvida, não diga nada. O estrago causado pelo arrependimento diante de palavras não ditas não chega nem perto do estrago causado  pelas famosas palavras que se pronuncia.

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