My words to you.

Acho que eu me apaixonei por você.

A última vez que me apaixonei, jurei que seria a última. Foi outro desses relacionamentos ‘pra sempre’, cheio de promessas e certezas, mas que terminou comigo jogada no sofá da sala, comendo brigadeiro direto da panela e emendando um filme no outro, assoando o nariz e secando as lágrimas, acreditando piamente que eu chorava por causa da história bonitinha do filme, não por causa de um fim que eu não quis pontuar. Enfim, eu jurei juradinho mesmo. Fiz cruz e beijei os dedos, selei pacto com o espelho, sacudi os cabelos e vamos que vamos, porque a vida era curta.

Achei que estava vacinada, confesso. Até que um dia você sorriu para mim, daquele jeitinho em que a curva dos seu sorriso queira encostar nos olhos. Eu senti aquele frio gostoso na barriga e te sorri de volta, mas falei para mim que estava tudo bem, que era só um sorrisinho bonito. Não era paixão, era outra coisa. Aí você veio e deu um abraço, desses de quebrar as costelas. Eu senti teu perfume invadir meu corpo inteiro e quis prolongar aquele abraço, para ver se enjoava de você. Você me soltou antes que eu enjoasse e, ufa!, ainda não era paixão.

A gente se afastou. Você me mandava um bom dia fofo e eu acordava, todos os dias, já procurando teu bom dia que viria. A rotina estava criada: abrir as pestanas, ler teu bom dia, abrir um sorriso. Aí sim, eu saia da cama e abraçava os afazeres. Dava um gole de café entre um riso e outro. Mas não, não era paixão. Era só um carinho grande, sabe como?

Um dia, você me roubou para você – e eu deixei levar. Eu dormi agarrada com um lenço que estava infestado com o seu cheiro. Eu tentei desviar os olhos, tentei focar em outra coisa, mas teu perfume me invadia por todos os lados. Não tinha para onde fugir, entende? Eu fui ficando acuada e sem saída. No que nos beijamos. Eu podia, mas não neguei, porque eu não queria. A noite foi pequena. O dia seguinte também. Mas não era paixão. Era tesão, desejo ou qualquer outra coisa.

A gente se afastou de novo, mas sem nos afastar por completo. Continuava tendo bom dia, sorriso, café, mais um tanto de riso. Diariamente. Eu estava quase me acostumando à falta de você, quando percebi que não podia viver sem. O coração acelerou e eu fiquei descoordenada. Mais descoordenada. Senti o corpo tremer, o estômago se contorcer e o nervosismo à flor da pele. Você me sorriu daquele jeito, me abraçou um tanto sem jeito e eu roubei o tanto de perfume que podia. ‘Três dias’ fiquei sem você e isso tudo me ocorreu.

Eu derramei uma lágrima. Quando vi, a minha armadura estava no canto, esquecida. Eu estava despida e entregue. Encarei-me no espelho, enxergando partes de mim que já eram tuas. Eu tinha jurado, juradinho mesmo, que nunca mais iria me empolgar novamente. Fiz cruz e beijei os dedos, selei pacto com o espelho, sacudi os cabelos e vamos que vamos, porque a vida era curta.

A vida é muito curta para não se apaixonar de novo. E eu acho que me apaixonei por você.

Day by day. · My words to you.

Just your smile.

O sorriso dela abre tanto que os olhos quase se fecham. Essa foi a primeira coisa que me chamou atenção. Me peguei de frente pro espelho tentando fazer os meus fecharem também quando eu dava uma grande risada. Nada. Talvez os olhos dela estejam tentando descer pra ver ela sorrindo mais de perto. Quase como acontece quando a gente vê um sorriso tão lindo passa horas admirando com receio de não vê-lo nunca mais. Costumo pensar que das tantas curvas de um corpo, nada é mais sublime do que a que surge quando as extremidades dos lábios tentam encontrar o canto do olhar. O sorriso dela me faz sorrir. Quase como quando as palavras com seus robustos significados não conseguem os sentimentos explicar, e um sorriso majestoso me ilumina o rosto. 180º de muitos significados. Surge sem precisar ser explicado.Olhos e sorrisos me encantam. Os olhos conseguem extrair a beleza das pessoas da forma mais natural possível, o sorriso dela consegue fazer isso também. Talvez eu não consiga explicar porque algumas coisas a gente precisa ver pra sentir. Ver pra lembrar. Ver pra sorrir também. O sorriso dela me lembra uma manhã de Sol iluminada, com pássaros cantando e um lindo jardim fora da janela. Ou um dia chuvoso, com chocolate quente, e um bom filme sendo visto de baixo do edredom. O sorriso dela me faz bem. Espero que quando ela sorri, ela esteja sempre bem também.

My words to you. · Pensamento soltos traduzidos em palavras.

VENDAval de confiança.

Feche um pouco os seus olhos. Imagine-se vendado, com alguma rala ideia do terreno no qual você está pisando. Ficar parado até ter a certeza de que não dará um passo em falso é sua primeira reação, creio eu. Então alguém que você ama põe a mão no seu ombro e diz “Vamos, no caminho eu te explico.” E aí você vai. Vai porque você ama, vai porque você confia. Eu estou me sentindo assim. Não raras são as situações em que preciso confiar nas pessoas, apenas. Sem maiores perguntas, sem pulgas atrás da orelha ou qualquer sombra de dúvida. E confiar envolve tanta coisa. É uma via de mão dupla, onde quanto mais se dá mais se tem. Confiar envolve ir sem medo de tropeçar. Envolve não temer o que está por vir. Envolve fechar os olhos e acreditar apenas na segurança das palavras ditas por quem está a te guiar. Eu confio em você. Eu confio nos seus sentimentos. Eu queria poder fazer mais. Queria poder resolver (eu sempre quero resolver). O amor não deveria ser complicado… Meus textos dizem isso o tempo todo. Eu digo isso o tempo todo. Muito embora eu esteja no escuro, vendada, e sem saber qual é o destino, eu estendo a minha mão para que você me guie por este caminho. Eu caminho ao seu lado sem saber pra onde e nem como e se realmente chegaremos a algum lugar. Prometo não fazer perguntas, prometo não buscar explicações. Eu apenas confio em você. E eu confio no que eu sinto quando confio em você. E eu acredito que, acima de tudo, tudo isso aí dentro, pequena, é sincero!

My words to you. · Pensamento soltos traduzidos em palavras.

Suspiros.

Você me apresentou um amor tão certo, tão bonito e tão dolorido. Te esquecer não faz parte dos meus dias, te riscar do mapa não é opção, não sei como responder a tua ausência, não consigo ignorar teu abandono, é difícil que continuei sendo nós mesmo quando você passou a ser só. Procuro ajuda em tudo que me dói, tento resgatar meu coração que não quer saber de voltar pra mim, é teu como todo tempo mais lindo da minha vida, é teu como a vontade que tenho de matar a saudade que consegue deixar minhas lágrimas mais cumpridas, é teu como tudo o que sinto e sinto muito por você não sentir mais nada disso. Na verdade, eu não sei te detestar, não aprendi a te deixar nos históricos, não consigo deixar de imaginar tua existência, apesar do meu mundo estar aos pedaços por tua causa, eu sei que só você pode me fazer feliz. Como eu consigo apesar de tudo te amar? Como é possível que o amor seja ainda a única coisa que me atiça a abrir os olhos? É a simples possibilidade de te encontrar e de te fazer ficar comigo que me traz o fôlego que eu contínuo perdendo pra tristeza. Você some como se isso fosse parte de um espetáculo, você desaparece, no entanto, permanece. A tua ausência me culpa, insistindo em dizer que eu não fui suficiente, quando tudo o que eu fiz foi SER TUA. Apesar desse tudo que já foi, espero te ver feliz. Sei que em algum momento eu terei que te deixar como um lembrete do que eu não posso repetir, terei que deixar de te amar por te amar demais, e enquanto estiver amor sobreviver, tenho a impressão que estou morrendo na mesma proporção.