Pensamento soltos traduzidos em palavras.

Breve retorno

Estive ausente. Encontrei um lar nos braços de uma garota que passou a ser a minha vida. Vivi um sonho. Estava feliz. Mas obviamente tudo tem que desandar um pouco ao longo do caminho. Não, não foi um término, mas fomos separadas. E talvez a dor de não ter ninguém por não conseguir querer alguém, seja infinitamente inferior a não ter quem se quer. Nós não conhecemos mesmo os nossos sentimento e menos ainda nós mesmos até que somos colocados a prova. Farei dessas linhas o meu consolo, e por aqui estarei. Só não sei ainda por quanto tempo. 

Day by day.

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Hoje me submeti a uma entrevista para iniciar a caminhada rumo a um dos muitos projetos que eu tenho em mente. A entrevista foi feita por duas moças, que iriam fazer peguntas pontuais, esperava eu. Assim que entrei na sala, havia uma moça sozinha, de pernas cruzadas, com um prancheta na mão que sorriu ao me ver entrar.
 
Antes que eu pudesse me ajeitar na cadeira, fui surpreendida com um “Quem é você?”
 
Prontamente respondi:
 
– Sandrelly, auxiliar de escritório…
 
Antes mesmo que eu pudesse concluir qualquer possível raciocínio sobre quem eu acho que sou, fui surpreendida:
 
– Não! Quero saber quem você é, não o que você faz.
– Nossa é muito difícil responder essa pergunta, não sei se confio em você a ponto de te mostrar quem eu sou.
– Você não confia em mim ou não se conhece tão bem a ponto de me mostrar quem você é?
 
Eu me senti apreensiva. Era uma conversa ou uma consulta com o psicólogo? Pensei um pouco e respondi:
 
– Eu escrevo.
 
Meu interlocutor olhou-me com uma cara de “todo mundo escreve, minha prima de 5 anos escreve”.
 
– Não entendi.
– Eu escrevo. Tipo, escrevo. Sento, penso, sinto e escrevo.
 
Quanto mais eu dizia “eu escrevo” maior era a confusão que se instalava em seu rosto. Então, eu abri meu notebook, mostrei-lhes alguns textos, umas frases soltas, abri meu blog, e depois de um tempo parada de frente pro computador, ela me olhou com os olhos marejados e me deu um abraço.
 
A segundo moça entrou na sala, sentou na cadeira a minha frente, pegou sua prancheta, e disse:
 
– Vamos lá, Sandrelly, quem é você?
 
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a moça que estava sentada ao meu lado, ainda enxugando um pouco de suas lágrimas, disse:
 
– Ela escreve.
 
E então eu completei:
 
– E tem gente que lê!
Pensamento soltos traduzidos em palavras.

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Eu perdoei todas as pessoas que de alguma forma me fizeram mal, perdoei mais do que elas mereciam serem perdoadas. Perdoei mesmo sem um pedido de perdão. O fiz por vontade e necessidade do meu coração, ele pedia paz. Esqueci as mágoas, os danos, as dores. Dei para elas a maior de todas as vinganças, os meus mais sinceros desejos de felicidade.

Nesses dias, descobri que uma certa pessoa, do qual eu nunca desejei mal algum, pelo contrário, sempre fui gente boa demais, em uma certa ocasião falou mal de mim ao extremo, sabe o que eu fiz? Relevei, na verdade nem perdi meu tempo, simplesmente não quis saber, sai e deixei para lá.

Não sou a melhor pessoa do mundo, é verdade, eu sou péssima. Porém tenho acreditado cegamente na lei do retorno, acho mesmo que tudo que vai, volta. Para toda ação a vida te trás uma reação. Por isso eu ando mesmo desejando o melhor para todos, quero um futuro livre, lindo, brilhante e repleto de assas coloridas.

Quanto mais o tempo passa, mais a minha lista de amigos diminuí, em menos pessoas confio e conto nos dedos as que amo de verdade.

Essa semana em uma reunião com uma cliente ela sorriu quando eu disse: – Vou fazer uma lista de pessoas que devem comparecer ao meu enterro. Só é para ir quem for convidado. Ela sem entender perguntou: Por quê? Eu respondi: – Na vida, você só pode compartilhar as alegrias e as dores sinceras, com quem foi verdadeiramente leal.

Não sei se é a chegada da terceira década, se eu estou mais chata ou se as crises de tristezas andam mais efetivas, mas me tornei uma pessoa extremamente sincera, realista e calma.

Se me permite uma dica, faça o mesmo que eu, se liberte de qualquer mal, ódio, rancor e sentimentos ruins. Deixe sua alma livre, pare de desejar o pior, afinal, isso e falar mal do próximo não vai tornar sua vida mais leve.

Boa prática.

Day by day.

Saborear um bom café é uma declaração de amor a nós mesmos.

Para os bons amantes do café como eu, qualquer hora é hora. Mas tem algo melhor do que um café fresquinho nesse tempo chuvoso?

De todos os chamados que a cozinha me faz, a hora do café quentinho, exalando cheiro de pausa e cuidado, é a que mais me atrai.

Herança da minha infância, do tempo em que acompanhava minha bisavó nos afazeres de casa quando ia passar as férias por lá. A hora do lanche, com pão molhado no café fumegante, era o tempo que ela conseguia olhar para si mesma e respirar.
Era ali, naqueles instantes diante da mesa posta com bolo de farinha e ovos, pão francês e café cheiroso que ela desconstruía a mãe enérgica, a esposa generosa e a dona de casa prestativa.
Era ali que eu, atenta em minha meninice, aprendia a cuidar mais de mim.

Eu gostava do sabor e do ritual, mas o que me dava mais alegria era ver aquela mulher se despindo da pressa rotineira e curtindo a própria companhia. Em sua simplicidade, ela me ensinava a buscar momentos de calmaria e consolo no meio do caos diário.

O ato de sentar-se à mesa para saborear um bom café é uma declaração de amor que fazemos a nós mesmos. É uma forma de nos acariciarmos e aprovarmos a nossa própria companhia, sem precisar de mais ninguém.

Preste atenção à sua volta. Estão todos tão ocupados, tão distantes de si mesmos, correndo tanto, exercendo papéis demais, cumprindo prazos e exigências demais… e pouco respeitando a si mesmos. É hora de colocar a toalha na mesa e servir um bom café. Hora de partir o pão com a mão e mergulhar nos vapores da xícara acolhedora. Hora de respirar fundo e mastigar devagar. Hora de perceber a urgência de desconstruir-se para enfim ser mais feliz.

A vida necessita de pausas. De momentos em que o bule cheio de café fresquinho nos convida a sentar e enfim desacelerar. De ocasiões em que é necessário colocar uma toalha bordada na mesa e convidar a nós mesmos para o chá. De porcelana bonita nos chamando para jantar. De sobremesa simples adoçando nosso paladar.

É preciso aprender a se gostar. Aprender a descosturar as bainhas que nos atam ao que é supérfluo e costurar novos remendos, que nos autorizam uma existência de respeito e amor-próprio.

Já não cabem mais desculpas. A água na fervura anuncia que é hora de coar o café. As nuvens escuras apressam a retirada das roupas no varal. E o cansaço pelo descuido consigo mesmo diz que é hora de desacelerar e se desconstruir.

É momento de acenar em despedida àquilo que nos ensinaram que era primordial mas nem sempre nos agrada. Ao excesso de zelo, à vontade de controlar tudo, à ansiedade de dar conta de todas as funções. Ninguém nos contou que não é possível agradar a todos, e nessa busca incansável pela perfeição, nos perdemos de nós mesmos.

É chegada a hora de retornar. De tornar possível o amparo às incompletudes, insignificâncias e imperfeições. De aceitar os próprios limites e afrouxar a competência. De sentar-se à mesa e servir-se com carinho um bom café. De pausar a tarde, os pensamentos, cobranças e exigências. De enfim perceber que a vida pode ser contada de uma forma mais simples, mais silenciosa e bem mais amorosa…

Day by day. · Pensamento soltos traduzidos em palavras.

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Mais uma noite que não consigo dormir muito bem. Os motivos foram diferentes desta vez, mas não menos assustadores.

Me pus a pensar sobre o amor. Eu amo pensar sobre o amor. Divagar sobre ele.

O amor é aquele carinha da sua escola, da primeira série, que te xingava de um milhão de palavrões infantis só porque você tinha os dentes da frente abertos. O amor é aquela caixa de morangos que parecem estar maravilhosos e, quando você abre, descobre que todos os que estavam no fundo estão podres. O amor é aquela seção de calças de cintura alta perfeitas, tamanho 32, que quase não cabem nos manequins.

O amor não é justo. E, talvez, o problema resida não no sentimento em si, e sim no timing.

Duas pessoas, quando se encontram, têm a possibilidade mínima de se encontrarem no mesmo estágio de vida. Não importa se você é magra, loira e tem os olhos azuis, se a outra pessoa não tá a fim de namorar agora. Não importa quantos gominhos você tenha na sua barriga malhadíssima, se o outro te acha um saco.

Conheci muita gente e me apaixonei por cada uma delas – paixão é sim, uma forma mínima de amar, por menor que seja. Conheci gente demais em tempos errados demais. Hoje, percebo o quanto estive errada em cultivar mais expectativas do que a mim mesma.

Descobrir-se é a primeira etapa do processo “amar”: amar a si mesmo. Amar quem você é, na essência. Decidi aos nove anos de idade que iria ser advogada. Hoje, percebo o quanto me envergo em caminhos diferentes e alternativos, por poder, livremente, ser o que sou.

Cada um de nós deveria, antes de tudo, descobrir-se. Abrir-se ao mundo. Há muito a ser explorado, tanto em sua alma, quanto em seu bairro – imagina o quanto pode haver no mundo inteiro, então.

E, o amor (ok, papo de auto-ajuda, mas que jamais deixará de ser verdade) só é possível quando descobrimos que o outro está ali para somar, e não completar.

Não podemos enxergar no outro qualidades que sentimos não existir em nós mesmos – o que cheira a inveja – e muito menos esperar que o outro nos trate como uma mãe ou um pai.

Carência demais é doença. Agarrar a primeira coisa que se vê só mostra o quão fraco e necessitado você se torna a cada segundo em que está sozinho. Desejar a companhia de alguém é uma coisa; imaginar o outro como um escravo particular para curar suas inseguranças é outra

E é por isso, e por tudo que ainda posso ser, que descobri – e, por mais incrível que possa parecer, me apaixonei por esta possibilidade – que as pessoas nunca estão pronta pra amar. E que por mais doloroso que isso possa parecer, não é necessário desesperar-se.

Sair da zona de conforto traz tanta, mas tanta lucidez que voltar para a caverna torna-se impossível – obrigada, Platão.

Construa-se com passos leves, calmos e muito – mas muito mesmo – despreocupados. E acho que esse é o melhor conselho que poderei dar a alguém, quando me perguntarem sobre felicidade: Antes de qualquer coisa vá ser feliz com você mesmo. A única coisa que te merece é o mundo – não somos prêmios particulares, nem bônus de celular, nem garantia de felicidade, nem números da Telesena.

Somos indivíduos que, querendo ou não, doendo ou não, nascemos e morremos sozinhos. Encontrar alguém que, ao invés de nos roubar, queira nos acompanhar nessa jornada, é sua árdua missão particular – recebe-se o que se é refletido.

Se atrás de você só tem gente louca, quem está de ponta-cabeça é você (nota particular).

Descubra-se. Valorize-se em todos os seus trejeitos. Use algo mais curto (ou mais comprido). Dance. Viaje. E, quando, por poesia – por descuido não, por favor! -, alguém quiser ficar, que seja para acrescentar.

Porque o amor não é justo. Mas ele há de acontecer pra você, um dia, do nada, como aconteceu pra mim.

Day by day.

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Respire. Olhe para o céu. Ainda há muito ar puro e seus pulmões precisam dele para todas as coisas. Inspire todo o ar que você pude suportar, feche os olhos e sinta como é bom esse sentimento de plenitude. E, se tiver que jogar fora as coisas que não te servem mais, expire e guarde as boas lembranças dos segundos de um dia que teve tudo (ou quase tudo) para ser completo. Mas calma. Entenda que esse é apenas no primeiro passo de uma caminhada que acabou de começar. É o primeiro dia do primeiro ano do resto da sua vida. E tudo bem que já passou muito tempo, mas sempre haverá amanhã. E sempre haverá o céu e ar puro para respirar.