And in fifteen minutes ... · Another me. · Pensamento soltos traduzidos em palavras. · You know it's for you.

apenas mais uma noite.

Sentei decidida a escrever algo que preste. Eu estava realmente necessitando disso, e isso tudo estava me matando. Queria sair na rua correndo, quem sabe roubar um carro e bater na sua porta. Dizer como você ainda me afeta, e que tudo isso que sinto não vai embora e eu não sei o que fazer. Parei um pouco e lembrei que quero aprender a tocar violino. Amanhã vou fazer uma lista de planos. Por que não agora? Esquecer você está no topo da minha lista. Cumprir a promessa de te amar pra sempre é o segundo ponto. Lista idiota. Nas telhas, ouvi os gatos correndo em parar, e a madrugada era o meu tédio naquele dia, o café só me trazia incertezas, e eu a mercê da loucura, preocupada em saber quanto tempo passaria para o café esfriar. As coisas haverão de esfriar um dia. O nosso corpo, os nossos medos, as nossas dores, o anseio de chegar o fim das nossas vidas. Esfriou-se o tempo, então eu devia mostrar o dedo do meio pra todo mundo e gritar dos meus sentimento, fazer musica, ser poeta, contar migalhas. Acontece que, a vida vem são como cristais que se quebram facilmente, e não é preciso muita coisa para derrubar um de nós. E eu já estava cansada demais para isso, trazia comigo os poemas que deixei por fazer, e um pouco de saudade do que ando deixando para trás, mas que me segue por onde quer que eu vá. Pensei que um dia eu fui o dedo podre tocando na maçã das tuas bochechas. Os raios do Sol invadem minha janela denunciando que mais uma noite se passou em claro para mim. Rasguei a lista que continha dois pontos, mas não sem antes perceber que tinha seu nome nela. Várias vezes. Joguei tudo na gaveta, hora de trabalhar. Um pouco mais de café para enfrentar o dia. Viro-me para a gaveta e penso “Até mais tarde!”, quando novamente estarei sentada tentando encontrar uma forma de te tirar de mim.

Another me. · Espaço do Leitor

Querido Ex.

“Oi. Sou seu ex. Na verdade você é meu ex. Ex é aquele que antecede. Sou o seu ex, do ex, do ex, do ex. Se é que isso realmente existe. Depois de mim você namorou três ou quatro vezes, acompanhei tudo secretamente pelas redes sociais. Começamos a namorar em 2012 e terminamos no mesmo ano. 2012 foi um ano maluco, não é mesmo? O mundo iria acabar. E não acabou. Nosso namoro, esse sim, acabou. Eu cheguei a pensar que a minha vida também fosse acabar, mas veja só: 2015 chegou e eu ainda estou aqui. Profecias erradas. Namoramos poucos meses.Você me fez tão feliz. Nunca havia me apaixonado tanto. Eu dormia sorrindo e acordava com um sorriso ainda maior. Você era o meu primeiro e meu último pensamento do dia. O nosso primeiro beijo arrepiou a minha alma e você perdeu o fôlego, lembra? Você tão incrivelmente lindo. Você tão incrivelmente seguro. Você. Só você. Mas aí você me traiu. Me traiu com um colega de trabalho. Me traiu com um colega de trabalho qualquer. E me destruiu. E foi embora. Partiu sem se importar. Frio. Calculista. “Homem foge sem prestar socorro.” Manchete no jornal da vida. Da minha vida. Que já não tinha mais sentido. Eu eu fiquei em estado de choque. E comecei a fumar. E bebia pra não lembrar. E fumava pra tentar me acalmar. E bebia porque eu lembrava. E fumava porque não esquecia. E bebia porque não me acalmava. E fumava cada vez mais. E bebia pra tentar esquecer. E não esquecia. E não me acalmava. Então comecei a sair. Meus amigos me arrastaram pra balada. E eu te reencontrei por lá. E você estava tão feliz. E você estava tão lindo. E eu só queria te abraçar e dizer: – Tudo bem eu te perdoo, errar é humano, vem aqui, vamos tentar outra vez. Mas você abraçou outro cara. E beijou esse cara. NA-MINHA-FRENTE. E me destruiu novamente. E eu bebi e fumei ainda mais. Porque me traiu com o seu colega de trabalho se não tinha intenção de ficar com ele? Me traiu só por trair? Quem é esse cara que você está beijando? Eu tinha tantas perguntas pra te fazer. Eu tinha tanta dor dentro de mim. Eu estava tão frágil. E passei a ter raiva. E um dia você me ligou. Eu ouvi a sua voz. E a raiva passou. Mas você só perguntou pelo seu óculos. Que não estava comigo.E desligou. E começou a namorar com outro cara. Que não era o colega de trabalho, nem o cara da balada. E você estava tão vivo. E encheu o instagram de fotos. E legendou as fotos com palavras de amor. E terminou o namoro. E encheu o instagram com fotos na balada. E começou a namorar com uma outra pessoa. E o ciclo era sempre o mesmo. E eu fui murchando aos poucos. Fui morrendo lentamente. Tive que focar no trabalho. Pra não morrer por inteiro. E trabalhei muito. E fui promovido. Uma. Duas. Três vezes. E só trabalhava. E te acompanhava de longe. Acho que gosto de sentir dor. SADOMASOQUISMO. E dispensei tanta gente que queria ficar comigo. Tanta gente legal. Vesti um escudo. Achei que todas as pessoas eram igualmente maldosas. Maldoso como você foi. Comigo. E com o cara depois de mim. E com o outro cara, depois do cara depois de mim. E vi algumas pessoas querendo cuidar de mim. Teve um que chorou e disse que queria me fazer feliz, pediu permissão. E eu disse não. E de tanto dizer não. Acabei dizendo sim. E eu já não fumava mais. E eu bebi, mas dessa vez foi pra brindar. E eu me senti amado. De verdade. Pela primeira vez. E me senti feliz. E me peguei sorrindo sozinho. Sorriso bobo. E voltei a amar. E não era você. Verdade. Reciprocidade. E você foi acabando dentro de mim. Até acabar por inteiro. E eu passei a dar risada sobre tudo o que aconteceu. As pessoas me diziam que um dia eu iria rir disso tudo. E eu ri. E eu te reencontrei na balada. E não senti nada. Olhei pro meu namorado e vi um abismo entre você e ele. Eu só desejei que a tua maldade e que a maldade do mundo nunca atinja quem agora eu amo. E que ele nunca se corrompa por tão pouco. Como você se corrompeu. Que o mundo é sujo eu sei. Você me mostrou. Mas é possível sair ileso, basta ser bom. Basta ser do bem, meu bem. E você me viu feliz com outro alguém. E me mandou mensagem. Disse que eu estou bonito. Que o tempo me fez bem. E fez mesmo. E você pediu pra voltar. Disse que se arrependeu de tudo e que sente muito a minha falta. Disse que eu fui o único que realmente te amou de verdade. Há 1 ano atrás eu correria pros teus braços. E te dava todo o meu amor outra vez. Hoje eu te deixo esse e-mail. Que é a única coisa que eu tenho pra te oferecer. Fica bem e seja feliz. A gente só vive uma vez. Aproveita ao máximo. Aproveita com verdade. Uma vida de verdade. Um amor de verdade. Pra não ter uma vida vazia. Tchau.”

Texto enviado pelo leitor Jonathas Ferreira

Another me. · Citações. · Pensamento soltos traduzidos em palavras.

Déjá ju.

blog

“Suponhamos que o tempo seja um círculo fechado sobre si mesmo. O mundo se repete, de forma precisa, infinitamente. Na maior parte dos casos, as pessoas não sabem que voltarão a viver suas vidas. Comerciantes não sabem que voltarão a fazer os mesmos negócios várias vezes. Políticos não sabem que gritarão na mesma tributa o número infinito de vezes nos ciclos do tempo… No mundo em que o tempo é um círculo, cada aperto de mão, cada beijo, cada nascimento, cada palavras serão precisamente repetidos. Também os serão todos os momentos em que dois amigos deixarão de ser amigos, toda vez que uma família se dividir por causa de dinheiro, toda frase maldosa em uma discussão, toda oportunidade negada por inveja, toda promessa não cumprida. E, assim como todas as coisas serão repetidas no futuro, todas as coisas que estão acontecendo agora aconteceram um milhão de vezes antes…”

Aprendemos desde muito cedo a medir a passagem do tempo através dos ponteiros do relógio. E não importa de correram horas durante a expectativa por algum acontecimento, ou se durou um segundo o tempo daquela festa. Estamos sempre presos a consciência do tempo mecânico, ao que ele representa, ao que ele conta. Mesmo assim, qualquer um já experimentou a sensação de não ter visto o tempo passar estando ao lado de alguém que ama, ou de ter sentido a eternidade se aproximar durante o período daquela ausência. 

E se esse tempo mecânico e cronológico não existisse? E se tudo o que entendemos como realizada fosse apenas a percepção parcial do que realmente acontece? E se o passado e o futuro ocorressem simultaneamente, mesmo que a gente só tenha consciência do presente?

Embora essa conversa tenha ares de ficção, e se pareça mais com “Lost” que qualquer outra coisa, ainda assim me entusiasma saber que a física teria hipóteses semelhantes para explicar o tempo e as dimensões. 

Indo mais além, poderia afirmar que as possibilidades de vida poderiam ocorrer simultaneamente, cada qual com seu desfecho, em três futuros distintos. Assim, se imaginarmos que uma escolha determinou a versão da história que vivemos hoje, podemos estar enganados ao imaginar que somente esta realidade ocorreu de fato. E se outros dois destinos, determinados por escolhas totalmente opostas, estejam ocorrendo simultaneamente, em algum lugar do tempo?

Podemos então lançar a seguinte pergunta: De todas as versões possíveis de sua história, qual a que lhe faria mais feliz? É está que você escolheu vier hoje?

Enquanto agradeço a Deus por estar exatamente onde estou, penso que a vida é um constante déjà vu, uma repetição de eventos e sensações que se separam e se fundam infinitamente.

Tudo isso se junta a mistura. Meus nove anos, correndo e brincando de esconde esconde e os nove anos de Lisinha, com seu The Sims, com seu Furby  e todas aquelas suas Barbies. Minha madrinha, com seus trinta e poucos anos, que coloca um maiô sempre colorido pra ir pegar um sol na praia de Tibau, e meus futuros trinta e poucos com a minha primeira mamografia e a capacidade de sentir-me a vontade dentro da minha própria pele. Minha “mainha” beirando com pouco mais de sessenta anos, cantando e dançando a cada término de Manancial… e os meus mais de sessenta, que por Deus chegarão, aproximando e fundindo a realidade dos nove, dos trinta e pouco e dos sessenta. 

“Uma vida é um momento em uma estação. Uma vida é uma precipitação de neve. Uma vida é um dia de outono. Uma vida é uma delicada faixa de luz sendo rapidamente devorada pela penumbra quando se fecha uma porta. Uma vida é um fugaz movimento de braços e pernas.”

Após pensar sobre tudo isso, descubro que carrego em mim o que fui e o que serei. Os pulos que dei e as rugas que terei. Os desejos que ansiei e os movimentos que realizei. O que semeei e o que ainda colherei. As músicas que ouvi e as letras que ainda não decorei; as histórias que vivi e os enredos que ainda escreverei. Os amores que deixei e os que nunca esquecerei…

Another me. · My words to you. · Pensamento soltos traduzidos em palavras. · You know it's for you.

Chegou a hora de ser maior que as muralhas.

Demore o tempo que tiver que demorar, um dia a ficha cai. O peito estala, o choro vem, a cabeça vai à mil e então a ficha cai. Sempre, sempre, sempre me perguntei no que você tinha se transformado. Noites à fio me questionei onde estavam aqueles olhos que um dia fixados aos meus disseram que dessa vez seria diferente. Onde estava aquele sorriso que sempre me acalmava o coração e que me passava a sensação de que tudo iria ficar bem no minuto seguinte. Onde estavam àqueles sonhos que eu ajudei a moldar, que eu encorajei a construir, que eu me permiti sonhar. Não sei. Nenhuma dessas perguntas foi respondida. Nem pelo tempo, nem por alguém, e muito menos por você. No dia que o peso do coração pesou mais do que o peso dos ombros me permiti pensar no que é tudo isso. E então me permiti pensar que talvez nada seja do jeito que eu imaginei que fosse, e que a verdade sempre estive bem na minha frente, mas que nem por um minuto me permiti senti-la. Talvez seja porque o amor cega. Sim, ele cega. Mas chegou a hora de ser maior que as muralhas. Não que em menos de 12 horas tudo tenha se esvaído da minha mente e do meu coração como eu acho que aconteceu com você, mas é aquela pessoa por quem eu nutro esse sentimento tão forte não é você, pelo menos não a olho nu. Não identifico em você sinais daquele alguém de alguns anos atrás. E diante disso, não faz mais sentido oferecer à você, tudo de melhor que eu já pude oferecer um dia.

Another me.

Nuances de cinza.

Em dias assim você não pensa, você apenas levanta e começa sua rotina matinal, dá um tapa no despertador, pega suas roupas e vai até o banheiro para um banho, pensando que talvez seja somente o sono a te perturbar as idéias. E  quando sai, por um instante pensa que era isso mesmo, que agora está tudo bem mais uma vez, que o dia irá fluir. Você se veste, deixa o café de lado, afinal você nunca foi muito disso e quando sai na rua o mundo parece que mudou para tons de cinza espalhados disformemente sob uma paisagem qualquer e só ai você percebe que não era só o sono que te perturbava. A manhã passa devagar, os minutos escorrem como as gotas de chuva na janela lenta e sofregamente. E no fim da manhã a única coisa que você quer é chegar em casa olhar pras paredes que com uma iluminação exagerada tornam até mesmo uma tentativa de descanso durante a hora de almoço quente e dolorosa como um pesadelo do qual você tenta, mas não consegue acordar. E quando finalmente consegue, você sente o suor escorrer pelo seu corpo de maneira incomoda e desconfortável, mesmo num dia de temperatura amena de nuances cinzas. Sua cabeça pesa no caminho ao trabalho, você não sente fome mesmo trocando o alimento por minutos que mais pareceram horas de pesadelo, a tarde não é diferente da manhã. Se ao menos você estivesse nas paginas daqueles livros que você adora ler, onde em dias como esses a sua vida pode mudar inesperadamente, uma ligação e pronto, homens de aparência estranha chamados sexta-feira, velhos com seus chapeis panamá e luvas verde limão cantarolando o destino do mundo, mas isso é só o sonhador dentro de você que tenta brigar com a realidade que é bem menos atrativa que isso. Dai quando o dia termina, você ainda é você, sua voz não dita o rumo dos acontecimentos, no fim você é só você e o dia vai chegar ao fim sem que nada tenha mudado.

Another me.

Breve histórico de mim.

Em uma bela manha, nasci..

Depois de um tempo as primeiras palavras foram mâiê, paiê, cume , nheite e nhee.. Dos três aos seis anos iniciei minhas aventuras pela casa, sempre esbarrando em algo desconhecido. Aprimorei as primeira palavras: mamae, papai, comer, leite e a outras, bem a outra eu nunca consegui descobri. Comecei a esbarrar na realidade depois dos 14 anos, sofri perdas até então impossíveis, inimagináveis para alguém na minha idade. Logo eu… Não gosto de lembrar, mas é impossível esquecer. Tudo mudou. Mudaram os amigos, as festas, tudo sem motivos, pensava eu. Descobri a falsidade e o interesse. Amigos? Tenho. E a maioria não sabe o quanto são meus amigos. Não sabem o amor que lhes devoto e a imensa necessidade que tenho deles. Amor? Me arrependi por ter amado tanto, mas não tenho medo… Eu aprendi. Dentro de mim o que sobrou foram lágrimas perdidas num infinito corpo que nunca foi meu. Desde que dei de cara com a realidade o mundo já girou diversas vezes. Contra e a favor. Já vi e vivi a intensidade do amor e da dor, da alegria e do desprezo, já estive acompanhada mesmo estando só, bem como só estando rodeada de pessoas… Mas eu vou seguindo… Rindo, sofrendo, batendo, apanhando, mimando, desdém, bom, mal, inteligente, ignorante, maduro, inconseguente. Sou de Lua, sou de Sol. Sou os extremos e o meio termo, sou o fruto do que fiz, do que não fiz e o que fizeram (ou não) por mim. Sou uma menina só, mas que precisa de alguém nem que seja pra dizer: “Nossa, legal, mas acho que essa camisa está ao contrário”, ou então “Voce nunca consegue tomar sorvete sem se melar?”. Gosto de estar só, mas preciso de platéia. Gosto do silêncio, mas não vivo sem música. Gosto do meu ar sério e sincero, mas ele demonstra muito mais do que eu quero. Não cito qualidades por não negar-lhe o direito de descobri-las. Não cito meus defeitos, porque me expõem, e odeio ser exposta. Assim sou eu. Alguém, definitivamente, estranha. Hoje pinto um quadro com tons de um amarelo forte, igual ao sol que brilha lá fora, na rua onde fui astronauta e mosqueteira do rei, onde tudo era possível e o bem vencia sempre…