Day by day.

.

Respire. Olhe para o céu. Ainda há muito ar puro e seus pulmões precisam dele para todas as coisas. Inspire todo o ar que você pude suportar, feche os olhos e sinta como é bom esse sentimento de plenitude. E, se tiver que jogar fora as coisas que não te servem mais, expire e guarde as boas lembranças dos segundos de um dia que teve tudo (ou quase tudo) para ser completo. Mas calma. Entenda que esse é apenas no primeiro passo de uma caminhada que acabou de começar. É o primeiro dia do primeiro ano do resto da sua vida. E tudo bem que já passou muito tempo, mas sempre haverá amanhã. E sempre haverá o céu e ar puro para respirar.

My words to you.

Acho que eu me apaixonei por você.

A última vez que me apaixonei, jurei que seria a última. Foi outro desses relacionamentos ‘pra sempre’, cheio de promessas e certezas, mas que terminou comigo jogada no sofá da sala, comendo brigadeiro direto da panela e emendando um filme no outro, assoando o nariz e secando as lágrimas, acreditando piamente que eu chorava por causa da história bonitinha do filme, não por causa de um fim que eu não quis pontuar. Enfim, eu jurei juradinho mesmo. Fiz cruz e beijei os dedos, selei pacto com o espelho, sacudi os cabelos e vamos que vamos, porque a vida era curta.

Achei que estava vacinada, confesso. Até que um dia você sorriu para mim, daquele jeitinho em que a curva dos seu sorriso queira encostar nos olhos. Eu senti aquele frio gostoso na barriga e te sorri de volta, mas falei para mim que estava tudo bem, que era só um sorrisinho bonito. Não era paixão, era outra coisa. Aí você veio e deu um abraço, desses de quebrar as costelas. Eu senti teu perfume invadir meu corpo inteiro e quis prolongar aquele abraço, para ver se enjoava de você. Você me soltou antes que eu enjoasse e, ufa!, ainda não era paixão.

A gente se afastou. Você me mandava um bom dia fofo e eu acordava, todos os dias, já procurando teu bom dia que viria. A rotina estava criada: abrir as pestanas, ler teu bom dia, abrir um sorriso. Aí sim, eu saia da cama e abraçava os afazeres. Dava um gole de café entre um riso e outro. Mas não, não era paixão. Era só um carinho grande, sabe como?

Um dia, você me roubou para você – e eu deixei levar. Eu dormi agarrada com um lenço que estava infestado com o seu cheiro. Eu tentei desviar os olhos, tentei focar em outra coisa, mas teu perfume me invadia por todos os lados. Não tinha para onde fugir, entende? Eu fui ficando acuada e sem saída. No que nos beijamos. Eu podia, mas não neguei, porque eu não queria. A noite foi pequena. O dia seguinte também. Mas não era paixão. Era tesão, desejo ou qualquer outra coisa.

A gente se afastou de novo, mas sem nos afastar por completo. Continuava tendo bom dia, sorriso, café, mais um tanto de riso. Diariamente. Eu estava quase me acostumando à falta de você, quando percebi que não podia viver sem. O coração acelerou e eu fiquei descoordenada. Mais descoordenada. Senti o corpo tremer, o estômago se contorcer e o nervosismo à flor da pele. Você me sorriu daquele jeito, me abraçou um tanto sem jeito e eu roubei o tanto de perfume que podia. ‘Três dias’ fiquei sem você e isso tudo me ocorreu.

Eu derramei uma lágrima. Quando vi, a minha armadura estava no canto, esquecida. Eu estava despida e entregue. Encarei-me no espelho, enxergando partes de mim que já eram tuas. Eu tinha jurado, juradinho mesmo, que nunca mais iria me empolgar novamente. Fiz cruz e beijei os dedos, selei pacto com o espelho, sacudi os cabelos e vamos que vamos, porque a vida era curta.

A vida é muito curta para não se apaixonar de novo. E eu acho que me apaixonei por você.

Day by day.

Quando alguém vai embora.

É estranho quando alguém vai embora sem avisar. As coisas ficam tão quietas como se esperassem uma explicação. E a gente não tem o que falar porque ainda não entendeu nada. Não tem nem coragem de trancar a porta porque aquela pessoa tinha hora certa pra chegar. Depois de um tempo, a gente quer mudar a cama de lugar, colocar uma cortina rendada e alterar a cor da fachada, mas o dia é sempre cinza quando a gente anoitece por dentro. É muito estranha essa sensação de ficar sem lugar dentro da própria casa porque nosso aconchego era no peito de uma pessoa que não mora mais ali. E a gente se dá conta que está desabrigado, empunhando uma saudade que não passa, aguentando um silêncio que não se quebra com a cor da voz daquela pessoa. A ausência ocupa muito espaço. E a tristeza resvala nas coisas que a gente lembra, e a gente se sente tão ferido sem saber qual é a parte que dói mais. A gente tira as coisas do lugar pra ver se as coisas mudam, mas elas continuam gritando o nome daquela pessoa que foi embora. E a gente chora, quer ir embora também pra ver se encontra na rua àquela pessoa, que sempre esteve tão do lado de dentro e agora é como se a gente montasse guarda pra ver se acha algum vestígio, alguma partícula que tenha o cheiro e a voz, que aos poucos vai se dispersando na poeira dos dias. É muito estranho quando alguém vai embora sem avisar e a gente olha aquela roupa mais estimada e pensa que ali dentro vivia uma pessoa feliz. E a gente veste aquela roupa pra tentar se aproximar do cheiro daquela pele, mas é só uma camada de pano cheia de linhas soltas, é só o invólucro da ausência que a gente tenta abraçar pra ver se pega de novo aqueles traços, aquele jeito de olhar, aquelas manias que a gente reclamava e que agora sente saudade até mesmo da toalha molhada em cima da cama, mas, a gente não tem mais aquela toalha. É muito estranho quando alguém “joga a toalha” e vai embora sem avisar porque a gente sempre espera resolver tudo numa conversa antes de deitar e planeja fazer alguma surpresa para o jantar pra ver se fica tudo bem, mas, de repente, aparece essa argola de angústia rodeando o pescoço porque não se sabe se a pessoa perdeu mesmo o rumo de casa ou não quer mais voltar. Mas é estranho porque talvez ela tenha avisado num gesto qualquer, que a gente não tenha interpretado como um sinal de despedida, mas era a última vez, e aí, a gente rebobina as cenas, e chora de novo como se fizesse um “remake” de um filme que já acabou. É estranho… é muito estranho.

Citações.

Don’t cry like this.

Nada é totalmente ruim, nada merece sua total tristeza. E mesmo que não existam mais motivos, mesmo que os dias felizes sejam escassos, o mundo sempre gira. A vida também. Abre novos caminhos, e chegam oportunidades que lhe são entregue de mãos beijadas algumas vezes. E você vai perceber que lhe faltou coragem pra correr atrás, pra dizer coisas que engoliu, pra sorrir e amar sem medo do amanhã. E não será tarde demais. Nunca é tarde demais quando se quer começar outra vez. E daí que não deu certo? Pelo menos você tentou!

Quem acredita sempre alcança.

Citações.

Sabe o mais incrível de tudo?!

Sempre vai existir alguém com você. Alguém que vai te olhar de longe, e esperar que você perceba. Alguém que vai te proteger, te amar por dentro e por fora, alguém que vai sorrir só por te ver sorrir. Alguém que sempre vai se preocupar com o que você come, com o que você faz, com o que você é, em como você está. Sempre vai ter alguém, mesmo que você não perceba. Alguém que estará te esperando, mesmo que você demore. Alguém que você pode contar. Alguém que trará respostas para algumas de suas perguntas, alguém que te console quando você chorar, que reze por ti quando você decidir que seguirá suas loucuras. Alguém que você vai ligar no meio da noite se estiver sozinha e tiver acordado com um pesadelo. Alguém que te fará sorrir das maiores besteiras, e sentir saudades sempre que virar as costas. Alguém que te trará proteção, ou a sensação de felicidade. Alguém que te dirá que tudo vai ficar bem, quando isso possa parecer sem sentido. Alguém que vai te ajudar com seu dever de casa, com uma matéria atrasada, ou com contas pra pagar no fim do mês. Alguém que estará do seu lado quando as coisas ficarem feias, e que te abraçará quando ninguém mais o fizer. Alguém que sabe a hora certa pra falar, pra abraçar ou simplesmente pra ficar do seu lado sem dizer nada. Alguém que vai falar com você quando você não tiver mais palavras. Alguém que vai te aconselhar mesmo sabendo que você pode não escutar. Alguém que vai te abraçar e te mimar quando você precisar, mas que saberá a hora certa de te mandar parar com a besteira. Alguém que vai valorizar seus sentimentos, mesmo que você não valorize os dele. Alguém que te dirá boa noite antes de dormir, ou que ficará até tarde acordado por sua causa. Alguém que te deixará falar todas as besteiras do mundo apenas pra ouvir sua voz. Alguém que vai valorizar a parte de você que você mais desvaloriza. Alguém que guardará com carinho o seu coração e cuidará dele como se fosse a pedra mais preciosa, a joia mais rara. E então você vai ver que não importa quem você seja, será amado pelo que realmente é. Você vai ver que esse alguém não te prende, você é que decide estar com ele. Vai ver que não precisa de esforço algum para fazê-lo feliz. E o mais importante de tudo, você vai perceber que mesmo que os dias, os meses e os anos passem, esse alguém estará com você pra sempre, lembrará de você pra sempre, e te amará até depois que seu coração parar de bater. E você sentirá isso. A cada vez que fechar os olhos.

Thatiane Mendes