Um dia eu esqueço você. Ou não.

Hoje eu esbarrei em alguém muito parecido com você enquanto atravessava uma avenida movimentada em passos acelerados, mas não foi igual aos outros esbarrões. Não tive a sensação parecida com a do dia em que nos nos avistamos ao longe e você veio correndo para que pudéssemos nos abraçar. Não foi igual ao dia em que você fez me liguei e disse “Vem aqui…” e eu corri, corri tanto que nem me preocupei com a cara de sono e o olhar marcado pelas olheiras, porque eu só pensava na possibilidade de encontrar você. Hoje eu esbarrei em alguém parecido com você quando tocou a nossa música no shuffle do meu iPhone e eu reparei na falta gigante que eu ainda sinto de você.

Me bateu coisa estranha no peito, uma angústia nada bonita pela saudade de quando você ligava de madrugada pra contar as coisas do teu dia. Porque você levava a coisa toda com uma paixão que te denunciava pelo brilho na retina dos olhos, do mesmo jeito que eu queria que você tivesse me levado. E eu senti uma bala perfurar o meu peito quando eu abri a nossa última conversa na esperança de encontrar uma resposta que nunca veio. Porque a indiferença atinge feito bala, é a mais dolorida das respostas porque a pessoa já não sente mais raiva, já não sente mais mágoa, já não sente mais nada pela gente.

Engano. A gente sempre acha que superou a pessoa até descobrir que ela superou a gente. Porque quando a ficha cai, quando dá o estalo, quando descobrimos isso, a gente relembra a coisa toda dentro do peito. Os recortes, os abraços, os domingos de mãos dadas em uma praça qualquer e a raiva, a maldita raiva que fez você não me levar contigo. 

Faz tempo, meu bem, quase quatro ano desde que você foi embora e não me levou contigo. E eu juro, juro de pé junto pra Deus e pra mim mesma que eu pensei que tivesse superado você. Que eu já não sentia incômodo nenhum quando você falava sobre sua nova vida e que eu até tinha me encontrado, sabe? Até que eu esbarrei com alguém parecido  com você mais cedo e colidi com aquilo o que a gente foi. Abri nossa aquela última conversa, engoli a seco o teu discurso limitado de nós e prometi pra mim mesmo que amanhã ou depois eu te supero e te esqueço de uma vez por todas. Mas só amanhã, ou depois.

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