Matar, morrer e amar.

Éramos uma confusão de braços, pernas, pele e sons. Alguns inaudíveis, daqueles que na hora que a boca abre parece se esvair em qualquer outra coisa. Num arranhão, por exemplo. Era uma salada de dois corpos que se queriam e tentavam à todo custo se saciar. Uma tarefa quase impossível em virtude do exposto: era uma batalha de prazer mútuo. Um queria fazer do outro vencedor, nós nos declarávamos vencidos pelo amor. E pelo tesão também. Para quem entende que só pessoas que se querem muito são capazes de cometer esses absurdos, éramos o exemplo perfeito de que a medida do Amor é amar desmedidamente. Se alguém visse, certamente nos julgaria. Éramos a certeza de que o hoje é preciso ser vivido plenamente. A vontade que nascia do toque, morria na boca e renascia no olhar atrevido que um lançava pro outro. A poesia da dança, a prosa das frases clichês nos ouvidos e as surpresas repentinas dos gestos. Eu poderia me deixar levar pra onde você quisesse, contanto que pudesse levar-te  junto. Na minha testa, certamente, deveria estar escrito “me usa”. E fazíamos o que mais queríamos ali: matávamos-nos de amor e, por incrível que pareça, vivíamos ainda mais.

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