Elizabeth Gilbert

“Instruções para a liberdade. Não há nada entre você e o infinito. Agora, liberte-se. O dia está terminando. É hora de alguma coisa que foi bonita se transformar em outra coisa que também seja bonita. Agora, liberte-se. Com todo seu coração, perdoe-a, perdoe a si mesma e liberte-a. Permita que sua intenção seja a liberdade do sofrimento inútil. Então, liberte-se. Quando o carma de um relacionamento termina, resta apenas o amor. É seguro. Liberte-se. Quando o passado finalmente tiver saído de você, liberte-se. Sua participação nesse relacionamento acabou. Depois desça e comece o resto da sua vida.

Vejo esse relacionamento como uma operação que costura duas pessoas uma na outra, e a separação é um tipo de amputação que pode levar muito tempo para sarar. Isso explica as sensações pós-separação, pós-amputação que venho tendo há alguns anos, a impressão de ainda estar balançando esse membro inexistente, sempre a derrubar coisas das prateleiras.

Leve o tempo que precisar para sarar, mas não se esqueça de um dia compartilhar o seu coração com outra pessoa. Não transforme a sua vida em um monumento.

Estou sozinha, inteiramente sozinha, completamente sozinha. Ao absorver essa realidade, caio de joelhos e encosto a testa no chão. Ali, ofereço ao universo uma fervorosa oração de agradecimento.

A depressão simplesmente me dá aquele sorriso sombrio, acomoda-se em minha cadeira preferida e acende um charuto, enchendo o aposento com sua fumaça desagradável. A Solidão olha aquela cena e dá um suspiro, em seguida deita-se na minha cama e se cobre com as cobertas, inteiramente vestida de sapato e tudo. Estou sentindo que vai me obrigar a dormir com ela de novo esta noite.

Quando se está perdido nessa selva, algumas vezes é preciso algum tempo para você se dar conta de que está perdido. Durante muito tempo, você pode se convencer de que só se afastou alguns metros do caminho, de que a qualquer momento irá conseguir voltar para a trilha marcada. Então a noite cai, e torna a cair, e você continua sem a menor ideia de onde está, e é hora de reconhecer que se afastou tanto do caminho que sequer sabe mais em que direção o sol nasce.

Minha vida estava despedaçada, e eu estava tão irreconhecível para mim mesma que provavelmente não teria reconhecido meu próprio rosto em uma identificação policial. No entanto, eu passei a não vê-la mais, senti um vislumbre de felicidade e, quando você sente um tênue potencial de felicidade depois de épocas tão sombrias, precisa agarrar essa felicidade com todas as suas forças, e não soltá-la até ela arrastar você para fora da lama – não se trata de egoísmo, mas de libertação. Você recebeu a vida; é seu dever (e também seu direito como ser humano) encontrar alguma coisa de belo nessa vida, por mais ínfima que seja.

Preciso de alguém que possa plantar alegremente jardins de margarida entre os inexplicáveis muros de pedra do silêncio que construo ao redor de mim mesma.

Se você correr atrás da vida com sofreguidão demais, ela leva à morte. O tempo – quando perseguido como um bandido – se comporta como um bandido; está sempre uma fronteira ou uma sala na sala na sua frente, mudando de nome e de cor de cabelo para enganar você, saindo pela porta dos fundos do hotel no mesmo instante em que você chega ao lobby com seu mais recente mandado de busca, deixando apenas um cigarro aceso no cinzeiro como provocação.

A dor da vida humana é causada pelas palavras, assim como toda a alegria. Nós criamos palavras para definir nossa experiência, e essas palavras trazem consigo emoções que nos sacodem como cães em uma coleira. Nós somo seduzidos por nossos próprios mantras (Eu sou um fracasso… Estou só…) e nos transformamos em monumentos a esses mantras.

E me perguntei se poderia ser útil para mim (e para aqueles que carregam o fardo de me amar) se eu conseguisse aprender a ficar parada e suportar um pouco mais, sem me deixar sempre arrastar pela estrada esburacada das circunstâncias.

Penso na mulher em que me transformei recentemente, na vida que estou vivendo agora, e em quanto eu sempre quis ser esta pessoa e viver esta vida, liberta de toda a farsa de fingir ser qualquer outra pessoa que não eu mesma. Penso em tudo o que suportei antes de chegar aqui, e pergunto-me se fui eu – quero dizer, esse eu feliz e equilibrado – quem empurrou para a frente o meu outro eu, mais jovem, mais confuso e com mais dificuldade, durante todos estes anos difíceis. O eu mais jovem era a semente, cheia de potencial, mas foi o eu mais velho, o carvalho que já existia, que passou o tempo inteiro dizendo: “Isso… cresça! Mude! Evolua Venha me encontrar aqui, onde eu já existo inteiro e maduro!”. E talvez tenha sido esse eu atual e totalmente atualizado que passou anos pairando sobre aquela moça soluçante no chão do banheiro.”

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