Déjá ju.

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“Suponhamos que o tempo seja um círculo fechado sobre si mesmo. O mundo se repete, de forma precisa, infinitamente. Na maior parte dos casos, as pessoas não sabem que voltarão a viver suas vidas. Comerciantes não sabem que voltarão a fazer os mesmos negócios várias vezes. Políticos não sabem que gritarão na mesma tributa o número infinito de vezes nos ciclos do tempo… No mundo em que o tempo é um círculo, cada aperto de mão, cada beijo, cada nascimento, cada palavras serão precisamente repetidos. Também os serão todos os momentos em que dois amigos deixarão de ser amigos, toda vez que uma família se dividir por causa de dinheiro, toda frase maldosa em uma discussão, toda oportunidade negada por inveja, toda promessa não cumprida. E, assim como todas as coisas serão repetidas no futuro, todas as coisas que estão acontecendo agora aconteceram um milhão de vezes antes…”

Aprendemos desde muito cedo a medir a passagem do tempo através dos ponteiros do relógio. E não importa de correram horas durante a expectativa por algum acontecimento, ou se durou um segundo o tempo daquela festa. Estamos sempre presos a consciência do tempo mecânico, ao que ele representa, ao que ele conta. Mesmo assim, qualquer um já experimentou a sensação de não ter visto o tempo passar estando ao lado de alguém que ama, ou de ter sentido a eternidade se aproximar durante o período daquela ausência. 

E se esse tempo mecânico e cronológico não existisse? E se tudo o que entendemos como realizada fosse apenas a percepção parcial do que realmente acontece? E se o passado e o futuro ocorressem simultaneamente, mesmo que a gente só tenha consciência do presente?

Embora essa conversa tenha ares de ficção, e se pareça mais com “Lost” que qualquer outra coisa, ainda assim me entusiasma saber que a física teria hipóteses semelhantes para explicar o tempo e as dimensões. 

Indo mais além, poderia afirmar que as possibilidades de vida poderiam ocorrer simultaneamente, cada qual com seu desfecho, em três futuros distintos. Assim, se imaginarmos que uma escolha determinou a versão da história que vivemos hoje, podemos estar enganados ao imaginar que somente esta realidade ocorreu de fato. E se outros dois destinos, determinados por escolhas totalmente opostas, estejam ocorrendo simultaneamente, em algum lugar do tempo?

Podemos então lançar a seguinte pergunta: De todas as versões possíveis de sua história, qual a que lhe faria mais feliz? É está que você escolheu vier hoje?

Enquanto agradeço a Deus por estar exatamente onde estou, penso que a vida é um constante déjà vu, uma repetição de eventos e sensações que se separam e se fundam infinitamente.

Tudo isso se junta a mistura. Meus nove anos, correndo e brincando de esconde esconde e os nove anos de Lisinha, com seu The Sims, com seu Furby  e todas aquelas suas Barbies. Minha madrinha, com seus trinta e poucos anos, que coloca um maiô sempre colorido pra ir pegar um sol na praia de Tibau, e meus futuros trinta e poucos com a minha primeira mamografia e a capacidade de sentir-me a vontade dentro da minha própria pele. Minha “mainha” beirando com pouco mais de sessenta anos, cantando e dançando a cada término de Manancial… e os meus mais de sessenta, que por Deus chegarão, aproximando e fundindo a realidade dos nove, dos trinta e pouco e dos sessenta. 

“Uma vida é um momento em uma estação. Uma vida é uma precipitação de neve. Uma vida é um dia de outono. Uma vida é uma delicada faixa de luz sendo rapidamente devorada pela penumbra quando se fecha uma porta. Uma vida é um fugaz movimento de braços e pernas.”

Após pensar sobre tudo isso, descubro que carrego em mim o que fui e o que serei. Os pulos que dei e as rugas que terei. Os desejos que ansiei e os movimentos que realizei. O que semeei e o que ainda colherei. As músicas que ouvi e as letras que ainda não decorei; as histórias que vivi e os enredos que ainda escreverei. Os amores que deixei e os que nunca esquecerei…

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