Superando o insuperável. (Releitura)

“Primeiro tentei ir contra a realidade: ‘Vai voltar, é só questão de tempo‘ e o tempo passa, e ninguém volta. Começaram a vir as noites de insônia e pesadelos. Acordei de sonhos relativamente bons com o coração partido. Acordei pra realidade… Talvez nunca volte. Mandei mensagem, insisti um pouco, mas fui tratada como desconhecida e mais uma vez as lágrimas fizeram companhia aos olhos. Então desisti, deletei das redes sociais pra não correr o risco de mandar uma mensagem, de não ver uma foto que pudesse machucar, pra não ver nada que piore a grande cicatriz. Deletei pensando que funcionaria, deletaria do coração. Me perguntei então onde erraei mais uma vez? O que foi que aconteceu? Onde me perdi?

Troquei as músicas das playlists, ouvi coisas tristes com o intuito de exteriorizar o que não tinha explicação. Afundei em refrões escritos de pessoas que também se feriram. Minha banda preferida que passou ser a nossa banda preferida, já não é mais escutada. As músicas que tocaram quando estavam juntos não consegui ouvir. Então, perdi o apetite. Não consegui mais comer como antes. Perdi a vontade. Escrevia, mas não publicava. Escrevia, mas não mandava, não enviava. Escrevia pra não sufocar.  Comecei a ler as mensagens antigas e os emails, e me dei conta do quanto foi bom. Mas também me dei conta que esperei demais. E que aquelas mensagens talvez nunca mais sejam trocadas entre nós.

Ai levantei um dia de sol, resolvi que não ia mais sofrer. Resolvi ir ao parque correr pra esquecer o que fosse possível. Gritei por dentro, pois os outros não entenderiam. Começei a sair com os amigos com mais frequência, mas quando eles iam embora, me dava conta de que sentia falta. Quando estava sem ninguém pra ocupar o silêncio, ocupava com o rosto e o sorriso de quem eu já não via mais. Continuei olhando as redes sociais, na esperança de algum contato. Ai eu vi uma foto que destruiu todas tentativas de estar bem, li coisas que romperam o machucado novamente.

Então os dias passaram, comecei a escrever e postar em blogs, facebook, instagram. Postei algumas músicas com refrões que faziam sentido. E eu acheu que superei. A grande verdade é que não. Todas as noites eu ainda vou dormir pensando em ti,  lembrando de ti nos refrões, ruas, esquinas e lugares. Afinal, não tem como superar alguém que ainda vive dentro de mim. Alguém que eu ainda amo.”

(Releitura de texto do Blog Perdoando o Adeus.)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s